terça-feira, 1 de novembro de 2011

Carta aberta ao Boca do Inferno, a carta que não chegou.

Rio Claro, 31 de outubro de 2011.


..................................Caro amigo Gregório de Matos Guerra, 

Tu és o legítimo homem, mais do que Hamlet o foi
Um legítimo homem, tão andante quanto Dom Quixote
O mais contra si mesmo
Em tua auto-defesa:
A voz dos idiotas
Um solitário amotinado
Palavras cuspidas numa tempestade verbal
Sem amigo, sem destino;
Quem te daria abrigo, inimigo da Bahia?
Eu, eu dar-te-ia uma pena e um papel,
Porque tu, ó Boca do Inferno,
Falavas o que ninguém ouvir podia.

Sossega, Nhô Gregório, Salvador não tem mais jeito.
Falta verdade, honra, vergonha e mais o que lhe ponha?
Não escarnece a vida que te foi dada,
Nem o povo que te ignora,
Só faze como eu,
Pede pelos tais a Deus:
Pois, que grande falsidade, desonra e sem-vergonhice
(as que vejo agora pelo facebook)
Ardam no mais profundo fogo e densa flamba decaída.

Um abraço do amigo um pouco mais moderno
Felipe Costa
FCC

terça-feira, 30 de agosto de 2011

AGOSTO



O fim de Agosto 

é o alvorecer 

da mais tenra vida úmida e fresca

o fim da crisálida seca e dura

silenciosa e deprimente

chamada Agosto



(Felipe de Camargo Costa, agosto de 2011)

domingo, 12 de junho de 2011

Fisiologia do Diálogo

Com quem falar –

Falar com certas pessoas pode ser uma atividade cansativa e desagradável. Evite essas pessoas porque isso ajuda a conservar o bom humor e a boa consciência, levando você a não perder a paciência com facilidade. Converse com pessoas agradáveis e confiantes.

Lembro-me com exatidão da circunstância em que me encontrava. No saguão de um prédio comercial. Eu conversava com a balconista, quando a desagradável veio e interrompeu a conversa. Os motivos que levam alguém a interromper a conversa de outras pessoas devem ser sempre importante ou de grande urgência, mas neste caso foi diferente. A pessoa, que prefiro não revelar, simplesmente chamou minha atenção para o fato de eu estar com a gola meio torta, como se eu fosse criança. Em seguida, após a arrumação, voltei a perguntar para a atendente sobre os horários de atendimento do doutor em questão, um nefrologista. Por alguns instantes a conversa até fluiu, exceto quando, pela atitude desagradável novamente, precisei parar o pensamento para voltar-me para a esquerda e ouvir a lamuriosa voz falando sobre a graxa dos meus sapatos para sábado, num casamento, a qual eu não poderia me esquecer de comprar.

Muitas pessoas têm capacidades infinitas, praticamente, de pensar em diversas coisas ao mesmo tempo. Essas mesmas pessoas não têm bom senso em perceber que outros não têm essa capacidade.

Naquele momento em que fui interrompido novamente, como se fosse um vulcão, eu quis explodir sobre ela. Tive calma e disse que depois veríamos isso.

Por fim, levei cerca de oito minutos para saber sobre um encaixe de consulta médica, enquanto que, em instâncias normais, isso se leva cerca de dois a três minutos, no máximo. Além disso, não tive mais vontade de conversar com a desagradável durante o dia todo, pois ela conseguiu me tirar do sério duas vezes no prédio e, não bastando, fomos comprar graxa e ela perguntou se eu achei a atendente do médico bonita e para que dia e hora tinha sido agendada a minha consulta. Mais uma vez, no mesmo dia, a paciência fora testada.

"Axioma I - falar com pessoas desagradáveis e desgostosas é um momento de auto-flagelo que deixa sequelas."

sexta-feira, 22 de abril de 2011

22 de abril de 1500, está começando o Fantástico (Brasil-Máquina)

Uma data especial: 22 de abril de 1500, 
dia do Descobrimento do Brasil 
por Pedro Álvares Cabral, 
ilustre capitão mercenário 
contratado pela coroa 
para roletear 
pela oceânica rota das Índias. 

Um Zé Sugismundo 
de bigode engraçado 
comandava a expedição, 
mas não sabia nem amarrar 
uma tira de couro em volta da cintura. 
"Terra à vista...", disse um gajo lá de cima. 
Quando viram, já tinha até nativos a bordo. 
Um oficial da frota disse a um nativo 
que estava a bordo: 

- Ei, que onda é essa, ô meu? - 
virou-se para o amigo e completou à parte 
- este gajo tem pancada.

Neste momento o nativo respondeu:
- Em hospitalidade nós não temos limites.

E lá se passaram 511 anos 
desde este memorável café 
da manhã de Cruzeiro. 
Os bonachões caras-pálidas descobriram 
um puta de um latifúndio 
habitado por seres agradáveis: 
resolveram inventar 
e fazer funcionar
um negócio chamado Brasil, 
por causa do pau-brasil. 

Aí funcionava da seguinte forma: 
os portugueses mandavam 
e os nativos faziam, 
e assim foi durante algum tempo. 
Depois trouxeram negros da África 
pra agilizarem os trâmites 
do Brasil-Máquina.

Nossa, rolou de tudo.
Cana, ouro, madeira,
especiarias, bandeiras,
casas de fundição, povoamentos,
disputas Portugal-España,
Tratado de Tordesilhas, escravidão,
invasão holandesa, francesa, inglesa,
UFOs, Quinta da Boa Vista, Família Real,
quilombolas, folclore, imigrações,
independência, Plano Collor,
Derrama, Diretas Já!, AI-5,
Viviane Araújo
e mais um monte
de outras coisas nojentas.

Já deu pra ter uma ideia
de como funciona por aqui?
Então, 511 anos de Brasil-Máquina,
inventado por Portugueses.

A autoria do manual e termo de garantia
é de Vaz de Caminha.
Foi uma pena ele não ter deixado
o número do SAC ou o e-mail de contato
 em caso de problemas de funcionamento.
Também vacilou em não trazer anexa
a listagem de Assistência Técnica
para troca de componentes:
é por isso que tá no que tá hoje,
sem a menor manutenção
há 511 anos

Só pra finalizar,
não é de todo mal esta Máquina,
é bonitinha e agradável,
pena que funciona mal.
Única vez que mudaram
foi um lance no painel de comando:
era monarquia
e puseram república,
uma peça grega
que veio adulterada de Roma.
Meio que melhorou um pouco
o rendimento da máquina. 

Depois dessa mudança,
só gambiarras e cambalachos
sem dó nem piedade.
Mas é bonitinha e agradável,
e só também
há 511 anos.
É um prazer revê-los. Pessoal, estive foragido e, por isso, não pude escrever por aqui. Mas agora acho que é necessário correr atrás do prejuízo: o que de melhor e de pior aconteceram durante essa estiagem de postagens no PROFISSÃO.

Orgulhosamente, gostaria de parabenizar os que diariamente visitam o PROFISSÃO há quase 1 ano e, mesmo sem novidades por aqui, continuaram aguardando a chegada de novos textos. Muito obrigado pela paciência, pois estamos devolta.


Parabéns aos indígenas que sobreviveram também, 511 anos de perdas.