quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dia de sol e uma jornada intrépida

Primeiro: parar o meu ônibus, sinal vermelho. Tshh! Parei. Meus passageiros arquearam para a frente por inércia. Coletivo lotado. Alguns em pé, a assediar corrimãos de segurança do interior do ônibus. É isso o que eu vejo pelo espelho interno. O cobrador, ao que me parece, enfastiado de tanta rotina: cansei de olhar sua tintura vinho dos cabelos, corte espalhafatoso metido a Charles Bronson de quitanda – o problema maior foi tingir os cabelos e deixar de lado o tal bigode quase grisalho – enquanto ele separa por entre os dedos as notas do caixa de catraca, a entreolhar, por vezes, os passageiros e ameaçar corresponder com “oi” a algumas cruzadas de olhar que se davam entre ele e os pagantes de todos os dias – todos familiares, nenhuma novidade.

Durante a conferência inútil do conteúdo do veículo que guio, o que dura aproximadamente um segundo e meio, recolho a marcha do câmbio novamente ao ponto neutro. Dirijo-me a vista ao lado de fora, para ver as novidades automobilísticas no tráfego ao redor. Nenhuma novidade. Vejo o painel de instrumentos do meu veículo de transporte coletivo da rede municipal. Tiro com o dedo mínimo esquerdo o pó dos entornos do acabamento em alto relevo do visor do velocímetro. Analiso o que há no dedo, algo maior: um mosquitinho de pernas para o ar, morto. Passo o dedo no trilho do vidro aberto para limpá-lo do mosquito e eis que vejo que ainda faltam vinte e sete segundos para que se libere a passagem neste sentido da via. Isso, mais uma vez, não é novidade.

Bom, vinte e sete segundos suficientes para pescar algo novo de dentro do universo impresso do caderno de um jornal porque, pelo Amor de Deus, acho que ainda enlouqueço dentro dessa máquina se eu não vir alguma coisa nova. E o jornal está dobrado ao lado do banco, à esquerda, ao lado da garrafinha de água. Do lado de fora a única coisa que é nova é um carro branco que parou imediatamente ao meu lado com uma placa de outra cidade do interior de São Paulo – mas isso também não é novidade suficiente.

Abro o jornal sem culpa, faltam vinte e cinco segundos. E me vem uma ardência no nariz, talvez por causa de um perfume irritante de passageira = non-sense + suor². Mas não vai dar tempo de espirrar e tirar o lenço e, espirrar por causa de perfume, para mim, não é novidade. Prefiro ler o jornal, é muito mais negócio. Vejamos o que há...

Colisão entre trem e caminhão na Índia causa 30 mortes: isso não é novo! Plataforma Barra Funda do metrô está abarrotada: ah, isso não é novo! Aeroporto opera sem problemas nos check ins: fascinante! Natal bate novo recorde no terciário: isso é clichê! Calcula-se que na última quinzena de dezembro choverá pelo mês inteiro: grande coisa! Brasília tem dias de sol e temperaturas elevadas em meio a temporada de chuvas: ah, isso é típico! Coroinha de igreja do interior cai e derruba o microfone do padre em missa de domingo: isso não é novidade! Dançarina de axé é pega traindo o marido e perde o rebolado: sem graça! Bom, depois eu termino de ver as manchetes, faltam dois segundos e já me sinto feliz por ver que ainda há novidades por entre as rotinas. Mas quero mais novidades, novidades. Dobro o jornal novamente e guardo ao lado do banco. Confiro mais uma vez o retrato pelo espelho: os passageiros emburrados de calor, o cobrador apara as unhas com uma mini-tesoura articulada dobrável. Novamente, tudo certo.

Embreagem, câmbio alavancado para o engate da primeira marcha lenta: olho no semáforo, um segundo exato... Verde! Pé na tábua, agora ninguém sobe, ninguém desce até chegarmos à Via Norte-Sul. Vrum-Vrum.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pá e bola 4

[...] O Twitter presta um desserviço ao processo social na medida em que estimula as pessoas a seguirem líderes, quando deveriam seguir a si próprias.

por Eugênio Trivinho, para a ISTOÉ, entrevista sobre Inclusão digital. Grifo meu.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pá e bola 3

Gente, alguém sabe onde está o Bin Laden?
Bom, eu sei onde ele não está. Ele não está nas ruas do Rio de Janeiro. No bueiro, levando umas férias de Tartarugas Ninja, pode até estar, mas nas ruas, definitivamente, não está.
Será que eu posso dizer isso no Disque-Denúncia? 0800-WHERE'S LADEN. É "de grátis..."

Fique atento, povo brasileiro: se sair alguém de turbante pelo ralo, spray de pimenta no safado. Ainda não existe barata com tatuagem do Beiramar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pá e bola 2

É preferível falar do extermínio dos traficantes dos morros no Rio de Janeiro a ver o narcotráfico todos os domingos, às 20h30min na tv, mesmo que isso seja sangrento (como se nada na história o fosse).

O mais forte, neste caso, vencerá!

Este foi um comentário feito a respeito do texto "Não haverá vencedores" de Marcelo Freixo publicado no Folha de São Paulo deste domingo, 28/11/10. Segue o comentário.

Fala-se muito em Direitos Humanos e nunca se fala em AÇÃO. A sociedade brasileira está saturada de ''Cartilhas'' daqui, "Cartilhas" dali. Do judiciário, então? Nem se fala. De políticas? Absurdamente utópicas, nada para se por em prática. Fala-se muito em Direitos Humanos (novamente). Fala-se muito. Só se fala. As diferentes etapas e crises sociais pelas quais o nosso país passou têm suas peculiaridades: Direitos Humanos sob outros aspectos. Hoje, fala-se demais. Falam demais principalmente as pessoas que são a favor de sempre entrar em acordos, todavia, NÃO HÁ ACORDOS COM GRUPOS FORA-DA-LEI.

O principal objetivo do narcotráfico é o lucro e o vício, bem como fizera a Inglaterra com o ópio durante um certo período histórico; bem como se faz todos os dias com os "ópios do povo" (bem se sabem quais são). Resta saber se o autor do texto ao qual é feito este comentário concorda com as "políticas de funcionamento" do narcotráfico ou não, porque ao que se sugere sobre a intenção, é notada uma ponta de concordância entre crime organizado e Direitos Humanos. Mais uma vez, a fala demasiada, "embromatória" que tende a evitar derramamento de sangue. Veja-se que é dever do Estado e da nação proporcionar o acesso à saúde e não aos entorpecentes. Veja-se, mais uma vez, que o autor do texto ao qual se replica este defende (mesmo que com ressalvas) a atitude criminal e violenta do vício de ilícitos. A tal atitude (um vexame verbal de compreender e, em certo aspecto, incentivar o tráfico de tóxicos) pode-se dar a nomenclatura de conivência.

A conivência é a aproximação da omissão, uma incapacidade de sugerir a melhoria. Bem se vê, por quaisquer olhos que sejam possíveis, que as políticas de paz com narcotraficantes não impediram a perpetuação do sistema de venda e distribuição de drogas no Brasil. E é fundamental para quem objetive a saúde pública que se permita a eliminação de tais traficantes e afins. É imprescindível na cidade do Rio de Janeiro, através da ação militar, a anulação da presença de mercado de entorpecentes. Faz-se importante a captura (quando não a morte) de líderes do mercado negro.

Os Direitos Humanos estarão assegurados, sim, aos seres humanos, e não aos marginais assassinos que compõem a massa néscia dos verdadeiros vilões: os soldados do tráfico e seus mandantes. Ação militar com fins sociais é a busca pela paz. Violência é ficar sentado no sofá: deixando-se consumir pelo tempo que passa.

sábado, 27 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro continua lindo - Leblon, Tijuca e Faixa de Gaza.

Alguém há um tempo já cantou que o Rio de Janeiro continua lindo. Direi por que com a ação do exército nas ruas da ex-capital nacional o Rio continua a mesma coisa e do qual não se muda uma vírgula.

Sempre se souberam dos narco-problemas fluminenses, sempre. O Rio de Janeiro é um lugar onde o abismo entre ricos e pobres é surreal e secular. Desde quando as pessoas começaram a se alojar nas encostas dos morros da capital do Brasil, há dezenas de décadas, viu-se instalar um contraste rico-pobre tão pior quanto o próprio problema do saneamento básico do século passado: era uma desgraça à saúde pública. Contra as doenças muito foi feito desde as primeiras vacinas e a adoção de procedimentos preventivos contra as mais diversas doenças urbanas, que em sua maioria era causada pela água sem tratamento adequado e pela crescente populacional na província da Guanabara: afinal, tratava-se da capital, portanto, uma pólis promissora. Mas e contra a pobreza? Algo foi feito? Claro que não, porque não tem jeito. Não tem jeito porque quando alguém lucra 1 real, alguém fica sem 1 real; logo: se algumas pessoas são milionárias no Brasil, muitas outras estão ainda procurando o seu pardal. É uma regra de três super simples. Fica claro que não se pode resolver o problema desse tipo de pobreza porque as pessoas que têm dinheiro teriam que dividí-lo com os outros e isso é inadmissível no American Way Of Life ( o que está em voga até hoje). Bom, e há tráfico de drogas no Rio de Janeiro porque há clientela. E vai dizer que é gente do morro que sustenta o crime? Claro que não, são pessoas ricas e turistas. Não tem jeito de pobre sustentar economicamente nada em lugar algum. Só se vê pobre ferrado de drogas na Cracolândia: aquilo, sim, é a derrota total. Portanto, nesse parágrafo conclui-se a origem e o sucesso do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, caro leitor.

A pobreza é fundamental para o tráfico de drogas, pois, para existir o negócio, é preciso quem se sujeite a fazer o serviço: os que não tem onde cairem mortos, os infelizes. Aí fica fácil: o traficante dá uma grana e proteção pro manezão que vai atuar na área, fazendo a contabilidade, a logística. O boa-praça, o boa-pinta, o endinheirado sobe o morro de carrão, pega uns pacotes caprichados e desce feliz da vida porque vai encher o nariz de pó e os narizes dos amigos e amigas nas festas. Isso acontece centenas de vezes por dia, todos os dias. E a droga é cara, não pense que fica barato. Mas pobres são seduzidos a trabalhar nessas condições, e muitas vezes são crianças.

Com a determinação de pontos principais de distribuição nos morros, fica fácil estabelecer limites territoriais: o próprio morro. O morro é posse do traficante: e todos os que lá estão. As pessoas que moram no morro são protegidas, são a comunidade. Um sentimento de família se cria para com todos os pertencentes a comunidade. Porém, nem todos os membros da comunidade são a favor do narcotráfico.

Às vezes, dá a impressão de que nunca as autoridades fizeram nada. O buraco é mais embaixo: os interesses vão além. Membros da polícia já estiveram envolvidos em subornos e até em participações diretas de narcotráfico. Então, nesses casos, é fácil ver que o problema da polícia era a própria polícia.

Finalmente chegam as Forças Armadas para combater e retirar dos mercenários seus territórios conquistados durante décadas. É fato que essa investida será intensa e lenta. Muitos daqueles homens dos morros já morreram e muitos ainda vão morrer, eu espero. Mas a torcida maior é pela tomada dos territórios e nem tanto pelas mortes de traficantes e laranjas. Pois, se for retirado o território de chefes de bando, não há como resistir a assaltos da lei. O Exército veio pra subir o morro.

E é por isso que o Rio de Janeiro continua a mesma coisa do que antes: continua com gente rica, com gente pobre, com gente viciada em drogas, com traficantes. O Rio só está diferente para quem não o conhecia por inteiro. Ah, o exército e a marinha são de lá também. Nada mudou.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Quando ninguém precisava de relógios (parte final)

Otacílio comprou e leu. Preferiu enrolar o papel, por no bolso e atravessar a rua antes da charrete. Pegar bafo de cavalo na chuva ninguém merece. Chegou à casa todo respingado. Releu atentamente aos escritos do garoto, após outra e mais outra dose de aguardente. Lembrou-se do querosene e acendeu a lâmpada. Estava já escuro e frio. Foi quando levou a lâmpada para a cozinha, cortou um pedaço de Gouda para comer com pão e café frio, era o jantar. Voltou para a sala e alguém bateu à porta.

- Quem bate? – ao que ninguém respondeu.

- Não conheço surdos-mudos, portanto, V. Senhoria não é bem-vinda à minha casa. Queira se retirar, por favor.

       Mais uma vez, três batidas no peito da celulósica barreira. Dessa vez com muito mais força.

- Escute criançada, eu vou abrir. Se for traquinagem, garanto que dou-lhes um apanho que não será palmadinha.

      Otacílio abriu.

- De quem se trata?

- Olá, sou eu mesmo. Tenho vários nomes. Pode chamar-me Belzebu.

- O que desejais? Essa não é hora adequada para visitações da vida alheia. Inda mais na chuva. Anda, pode voltar amanhã! Não se preocupe, estarei aqui. A partir das 10h estarei no bistrô central, vou ter com o Prestes, o advogado. Preciso receber uma quantia que me atrasaram. Podereis vir antes disso. Passar bem.

- Senhor Otacílio, acho que não estais a reconhecer-me. Não posso voltar amanhã, nem dia algum. Vim resolver umas questões existenciais.

      Otacílio, impregnado de aguardente, não o deteve. Tão logo, não se opôs à entrada do Mentiroso.

      Sentaram-se e logo o chifrudo veio a dizer:

- Quero vossa alma, homem de princípios.

- Sinto muito, mas eu gostaria que fosse direto ao ponto, caríssimo Belzebu. Já são horas altas e gostaria de descansar. Amanhã terei um dia agitado. Mas para não fazer desmerecimento de vossa inusitada presença, brindaremos, como mandam os costumes. O trem das 20h já vai passar. – após preparar duas doses cavalares com copos grandes, serviu a bandeja, brindando a chegada do ilustre – Um brinde a vós, tardio visitante. Saúde! – ao que o outro também disse – saúde!

       O assunto começou a incomodar profundamente a Otacílio quando o Cousa Ruim disse que o tempo precisava ser preenchido por completo, para não haver tempo ocioso. Levantando-se do sofá, nervoso e muito bebido, meio espalhafatoso, Otacílio disse:

- Não, isso não. Eu tenho o meu tempo e não abro mão dele, de forma alguma, meu caro. Estou muito bem de vida assim, agradeço esta sugestão.

- É assim que funciona, amigo: seríeis mais rico para ter tudo o que vos for vontade.

- Eu já tenho tudo o que quero. Inclusive o dinheiro, mas este atrasou por causa de um embargo das cargas na capital. Felizmente já foi tudo solucionado e meu advogado já tomou as medidas. Receberei, no mais tardar, semana que vem. Até lá, tenho minhas reservas que trago desde maio. Não preciso de mais do que isso.

       A conversa se alongou, o trem das 20h passou, Otacílio serviu mais uma dose de aguardente ao Lorde da Discórdia. Otacílio mostrou-se firme e forte em sua convicção de que o tempo é esse, se precisar mudar, ele muda. Mas se não precisar, não muda.

      O Diabo interagiu com força:

- Então fique Vossa Senhoria a par das coisas, bom homem: tudo isso que existe está contado, tudo. Os dias de calma findarão, meu caro. Homens serão tão ricos quanto monarcas jamais imaginaram ser um dia. Tudo e todos que conheceis hoje serão passado. E os meus desígnios serão vividos por todos; a Discórdia vai preencher como água as relações humanas. – o satânico ser mediu com o polegar a quantia de aguardente no copo e virou-o, tomou o derradeiro golpe da cana. O Capeta soluçou e sentiu que o teor do seu hálito etílico amargava sua doce atitude de mentiroso. Otacílio viu o azedume no olhar vazio do embriagado anjo decaído.

       Prostrado de sentimentos e humildade inabaláveis, Otacílio encaminhou o triste e abalado Belzebu para a porta, enquanto o mantinha apoiado em seu ombro. Encostar-se em Satanás traz um cheiro característico, possível apenas tirá-lo com banho de boas ervas. Desceu pela escadaria de madeira. O silêncio era impossível. Os murmúrios imbecis do visitante, o pisar dos cascos na escadaria e o ofegante respirar de ambos levavam os outros moradores do edifício a pensarem que o próprio Minotauro tinha saído do seu Labirinto.

     Chegando à marquise do prédio, Otacílio recostou o traste na parede e lá ele ficou escorado com a cabeça chifruda cambaleante, murmurando.

- Andai, Diabo, tomai Vosso rumo porque o meu contato convosco termina acó. Andai pela tempestade para que essa vossa alma aflita seja limpa. Confiai na chuva, ela é limpa.

       Belzebu entendeu a mensagem. Continuou escorado após uma tentativa frustrada de erigir-se. Um joelho dobrou-se e quase caiu. Apoiou-se mais uma vez em Otacílio, que o devolveu desta vez ao poste que havia defronte. O cabisbaixo demônio olhou para cima para ver a intensidade das gotas de água. Aprovou. Encheu o peito, bufou, encheu mais uma vez e erigiu-se, voltou-se para Otacílio e despediu-se. Belzebu limpou o excesso de água da cara. Lamentou-se sozinho. E deu o primeiro e o segundo passos. Andou. Seguiu vacilante pela rua, que molhada de chuva, ofuscava o olhar do ébrio. Otacílio ainda disse:

- Belzebu, se precisardes tomar um trem, é melhor que caminheis rápido.

      Otacílio voltou para casa, recolheu-se. Com a cabeça já repousada, sentiu o ambiente, parou por segundos e, então, o trem das 21h30 deu seu apito. Otacílio dormiu tranquilamente ao som da chuva inesperada daquele setembro. Otacílio bem sabia quem era o visitante e descansou feliz por tê-lo despachado mais uma vez, dentre muitas. Aquele traste todos os dias batia a sua porta e todos os dias voltava para o inferno com o rabo entre as pernas. Na rua, Belzebu cambaleou até não ser mais visto.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fora, Patrão!

"O início do fim é sempre discreto". Um abraço do não-eleitor aqui do Zé Serra, cabisbaixo e inconsolável candidato,

que foi derrotado depois de abandonar o próprio navio. A troca com trôco, foi do certo ao duvidoso. O seu Zé perdeu a eleição.

Tia Dilma vai ser mamãe. De um monte de filhinhos que se recusaram a adotar o papai-patrão, parabéns imãozinhos e companheiros pela aquisição da liberdade, ainda que tardia, conforme o ideal inconfidente e revolucionário da França no Brasil

Quando ninguém precisava de relógios (parte 2 de 3)

Saindo de casa, foi cautelosamente à bodega ter com o Vicente, filho do Farias, Dono do estabelecimento. Vicentinho tinha em torno de dez anos e tinha paixão por notícias de jornal. Escrevia precariamente suas idéias mirabolantes sobre vários assuntos, entre eles A Doença dos Trens, Chuvas paralisam setor Ferroviário, Maquinistas Loucos, Cidadãos revoltados com Trens Pouco Atraentes. Era um menino muito conversador que adorava pensar e escrever sobre qualquer coisa que fizesse outras pessoas lerem e pensarem, ao ponto de mudarem suas concepções de mundo. Incrível isso para alguém com apenas dez anos.
Ao entrar na venda, Otacílio logo viu o garoto com sua boina e seus apetrechos de jornalista ao fundo do local, longe da chuva e dos respingos, enquanto o pai calculava preços para um casal muito bem vestido, com seus chapéus e uma umbrela.
- Boa tarde! – saudou Otacílio a todos lá dentro – mas que tempo é esse, meu Deus do céu?
- Boa tarde! – respondeu o casal timidamente sem virar o rosto para o protagonista.
- Muito boa tarde, Sr. Otacílio! – respondeu o José Farias – À vontade e chame-me se precisar. Não vos acanheis!
- Vim ter com o garoto Vicente. Soube de uns rumores que andam por aí. Acredito que ele saiba melhor do que eu.
Virando-se para o filho, Sr. Farias enfureceu-se:
- Vicente Armando Goulart Farias! O que anda V. Senhoria espalhando por aí, mais discórdias e heresias? – disse ele bravo, mas num tom sarcástico e carregado de gestos pedagógicos para a criança.
- Desculpe-me papai, mas há um equívoco. Não existe boato algum. Ao senhor Otacílio eu posso dizer a mesma coisa. – o garoto continuou, levantando-se da cadeira e impondo seu pequeno porte - Estive lendo, por estas manhãs setembrinas, a Gazeta Nacional. Fiz uma espécie de análise do período e fiz algumas previsões para o que eu posso chamar de Mudanças Cruciais no Modus Operandi. O que se lê no que escrevo é simplesmente análise, análise, digamos, estrutural da mudança do modo, que é o que eu sinto estar prestes a acontecer. E é melhor se preparar para comprar já o seu relógio viu, papai!
A fala do garoto pasmou a todos no local. O casal que estava de saída tinha até parado para ouvir – espantou-se. Otacílio não acreditava, suava. O pai logo disse, após ajeitar o bigode, “já falei para parar de mexer com coisas de adultos e ir logo brincar com os do seu tamanho, garoto. Guarda esses tinteiros e os papéis. Anda!” Otacílio não suportou aquela verdade toda e lá já se passaram alguns minutos, ao que o garoto organizou suas bagunças e entregou um panfletozinho, cobrando a bagatela de $8,00. Otacílio ralhou:
- Pro diabo, tu, Vicente! Vai me cobrar um oitão? Sr. Farias, censura-o, por favor!
- Vejo que não posso fazer muita coisa por V. Senhoria. É o preço do garoto... De fato ele gastou muito tempo pesquisando para produzir os escritos. – disse o pai, orgulhoso por ver o filho impondo seu preço.
- Dê-me uma boa justificativa para eu deixar morrer um oitão na sua pequenina mão, Vicente, só uma!
Com um ar de altivez e certo do que diz, ao colocar um pedaço de régua dentro do saco, respondeu com segurança e com gestos infantis:
- Meu caro Otacílio, o preço é pouco, o mínimo que pode ser dado em troca de algo que se tornará o registro primeiro de uma futura crise. Lembrar-se-á disso, meu senhor!

Otacílio comprou e leu. Preferiu enrolar o papel, por no bolso e atravessar a rua antes da charrete. Pegar bafo de cavalo na chuva ninguém merece. Chegou à casa todo respingado. Releu atentamente aos escritos do garoto, após outra e mais outra dose de aguardente. Lembrou-se do querosene e acendeu a lâmpada. Estava já escuro e frio. Foi quando levou a lâmpada para a cozinha, cortou um pedaço de Gouda para comer com pão e café frio, era o jantar. Voltou para a sala e alguém bateu à porta.


[NÃO PERCA O FINAL: QUEM BATEU À PORTA DE OTACÍLIO? ALGUMAS SURPRESAS ESPERAM POR VOCÊ! FIQUE LIGADO!]

sábado, 30 de outubro de 2010

Como assim? [ I ]

Como assim é negado aos alunos o direito de escrever com modos regionais de falar e gírias se a própria Academia Brasileira de Letras exalta Guimarães Rosa por seus neologismos e seu regionalismo?

Outra dúvida é: por que as crianças, então, precisam aprender a norma culta da língua se um dos mais renomados escritores vivos é o Paulo Coelho? Pois, para mim, ele fica entre o persuasivo e o melindroso nos seus escritos.

Diga-me se não é isso meio contradiatório e incoerente em um sistema que cobra a coerência dos mais jovens!

sábado, 23 de outubro de 2010

Pá e bola 1

[...]

     Iron Maiden, não tem como negar, é, sim, uma banda de tradição invejável. Não é à toa que se mantém na estrada a mais de 30 anos, com tropeços e retomadas. Milhões de pessoas ao redor do globo, durante esse tempo, motivaram-se a fazer algo embaladas pelos ricos refrões e teminhas pegajosos do grupo inglês. Todavia, é verdade também que, apesar de não estarem inseridos em um estilo musical específico - talvez fundando o próprio gênero Iron Maiden de Rock - e serem pioneiros da NWOBHM, pecam em novos sons. Sons que estão mais puxados para o progressivo do que para a interpretação punk, como fora no início da carreira. O olhar introspectivo e crítico do líder, Steve Harris, levou o conjunto a produzir canções mais românticas. O problema não é evidentemente esse, mas, sim, o fato de várias músicas terem introduções parecidas com trilha sonora de programas como o Repórter Eco, exibidos desde a década de 90, pela TV Cultura.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Quando ninguém precisava de relógios (parte 1 de 3)

Era o Otacílio sentado no sofá. Muito tranqüilo coçando o olho direito enquanto lia trechos de Ilíada. Quer leitura mais tranqüila? Não se incomodava nem mesmo com os trens que passavam a duas quadras do apartamento, naquele sufocante serpentear sobre trilhos que nunca se atrasa. Após cada movimento ferroviário, Otacílio falava baixinho “14h30”, “16h”, “18h30”.

A vida daquela vizinhança era de qualidade invejável, já que ninguém gastava dinheiro com relógios, visto que os trens nunca se atrasavam e sempre passavam de hora e meia. Exceto nas madrugadas de sábado que, da meia noite às 5h, passavam a cada duas horas e meia, sendo o de passageiros da meia noite, o de carvão das 2h30 e o de grãos de café, trigo e feijão às 5h. Dá pra perceber que a vida da localidade era muito melhor assim do que com os relógios. Dava a impressão de que “o tempo acontecia”. Os habitantes nunca se atrasavam.

E Otacílio teve vontade de preparar uma bebida. Desceu à bodega e comprou uma garrafa de aguardente. Para ele, compensava comprar toda a garrafa do que pedir uma dose, já que uma dose na bodega do Farias custava $ 2,50 e a garrafa toda custava $ 5,00. Subiu as escadas e sacou a rolha ao chegar. Limpou o copo ideal e mediu a quantidade certa não com os olhos, mas com os ouvidos, ouvindo o sonzinho do copo enchendo, conforme caía o líquido de certa altura. O som da aguardente enchendo o copo lhe trazia o prazer que logo em breve seria saciado. Amortecer os lábios com ela, depois terminar de ler o volume no sofá, e esperar o trem das 18h30 passar.

Tomou salivosamente sua aguardente, apenas uma dose, não precisa de pressa. A leitura foi retomada com prazer e evolução, era envolvente. O olho coçou mais uma vez. A lâmpada estava desligada e o sofá perto da janela. O dia não estava tão luminoso como se podia esperar, mas também não estava escuro. A janela disse ao Otacílio: “vai chover, Otacílio”. O nosso amigo foi à janela, olhou lá fora, e parou um pouco. Reparou na bodega, nas casas ao lado. Ao longe reparou nas curvas que os trilhos faziam até sumirem no relevo aplainado pelo tempo. Reparou que o menino continuava a dar descontos em seus panfletos recém-escritos sobre os boatos da invenção de uma máquina mais divina que o trem. Otacílio gritou de lá de cima: “Ei, Vicente, menino Vicente! Não vou descer agora. Guarde um exemplar para mim, tudo bem, jovem agitador?” Otacílio fechou a janela após receber um pingo na língua enquanto falava.

Havia tempo para tudo, inclusive para ser perdido. Imagine que há o tempo de tudo durante o dia. Você pode escolher preenchê-lo, como também pode optar por deixar uma parcela dele para que você o mate. Pois bem, Otacílio escolheu a segunda hipótese. Matava o tempo como ninguém, mas mesmo assim ele ouvia os apitos e os estrondos dos trens, verdadeiros uivos das aproximações dos lobos a assustar e alertar as pessoas indefesas. Otacílio pegou a garrafa novamente e recebeu mais um golpe da cana.

Ao virar-se para a porta, esperou estático por segundos como se percebesse que algo fosse acontecer. Movido de uma sensibilidade próxima do sobrenatural, virou-se repentinamente para a janela fechada e, em posição de estalar os dedos. Estalou os dedos ao mesmo tempo em que o trem se anunciava, sincronicamente. Para ele, natural; para nós, surreal. Eram exatamente 18h30.

Saindo de casa, foi cautelosamente à bodega ter com o Vicente, filho do Farias, Dono do estabelecimento. Vicentinho tinha em torno de dez anos e tinha paixão por notícias de jornal. Escrevia precariamente suas idéias mirabolantes sobre vários assuntos, entre eles A Doença dos Trens, Chuvas paralisam setor Ferroviário, Maquinistas Loucos, Cidadãos revoltados com Trens Pouco Atraentes. Era um menino muito conversador que adorava pensar e escrever sobre qualquer coisa que fizesse outras pessoas lerem e pensarem, ao ponto de mudarem suas concepções de mundo. Incrível isso para alguém com apenas dez anos.

[Acompanhe o blog para saber o restante da história de Otacílio]

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tiririca é do balacobaco

     Ói nóis 'qui travêis! Ôxe, Tiririca agora até na política, meus amigos. É, parece que foram fundo mesmo nessa história de Ficha Limpa: elegeram alguém com ficha praticamente em branco, não tinha nada nela, nem letras. Evidente, pois o candidato é analfabeto.
Sim, minha gente sorridente, falo do palhaço Tiririca, eleito nesta semana com recorde de votos para representar a população na Câmara.

     Bem, não vou me esticar aqui pra não perder a graça e a piada. Ria enquanto pode, bom e fiel eleitor do Tiririca, seus dias de deboche estão contados. Daqui a algum tempo eu volto a perguntar onde está a piada.

     Quem ri por último, ri melhor.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

DE INDEFESVS MORTE - A morte do indefeso

Fui solicitado a responder à pergunta "A infância acabou ou mudou?", do querido Último Pensamento. E então eu disse:

A infância acabou. Os "adultos" não querem se culpar. Não querem culpas para seus fracassos existenciais ou não querem por a perder as riquezas que acumularam durante a "vida". Julgam que as crianças, num pensamento protecionista, devem aprender a tomar conta do que é deles, dos pais, para, no futuro, também não aproveitarem essa riqueza, guardando-a e passando-a de geração em geração, como se fosse um "tótem", um monumento social (porém, abstrato) chamado patrimônio de família, aquilo que em torno do qual se valem as "vidas" dos componentes do clã envolvido. A tal da fortuna, a sorte na vida vem da competência. Mas de quem?

Sabe-se lá desde quando não se tem mais infância no mundo. A magia da descoberta ao acaso das sensações, da não-obrigação, da não-norma, do não-certo, do não-malicioso, etc (não-). Digo "não-" por haver a ausência do conceito e pelo comportamento poder ser considerado pré-conceptista empirista, do discernir pela prática (conveniente ou não), do "perceber pela prática a partir do exato instante do contato". Saber: estímulo cognitivo à memória racional. Crianças devem ser treinadas em Saber, conhecer. Mas antes elas precisam Aproveitar, Tocar, Experimentar, Sentir - O que não se faz em 5 anos! A infância termina quando a criança tem que saber mais do que sentir e gozar sozinha esse sentimento que é o próprio corpo em que ela se inseriu como mente. Conhecer-se, para depois conhecer o mundo.



Acho que alguém, no passado (faz um tempinho aí) disse "Conhece-te a ti mesmo..."



Pimba! Tá aí, a infância acho que é o conhecer e aprofundar-se sem concepções dentro dos (i)limites do próprio ego, o eu infantil vazio e incolor, insípido e inodoro. A água! O líquido, o mutável. O paulatino viver de movimentos mais paulatinos ainda do que o primeiro. Sem o contar dos segundos, pragas mortais. A infância termina quando se aprende a ver as horas.

E não há infância boa ou infância terrível: OU SE TEM, OU NÃO SE TEM!

E a infância, pelo que percebo, tem terminado cada vez mais cedo...

Palmas para os "adultos" que não foram crianças, assim como Adão. Aplausos aos Conhecedores de Tudo e Ignorantes de si.



Adultos devem ser imponentes, para carregar o mundo nas costas, assim como Atlas, no Clássico, que o faz sem titubear.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Opa! toillet...

Ô, gente, desculpa mesmo. Vou precisar ir ao reservado porque me sujei. É sério.
           Na semana pré-eleições é muito complicado: se você não tomar cuidado, acaba se impregnando de porcarias. Essa semana fui ao médico duas vezes fazer lavagem dos ouvidos. Ele disse que tirou algo que tinha cheiro e consistência de cocô. Não ria não, amigo leitor, é sério! Sabe o que eu respondi pra ele? Eu disse assim: "Doutor, é cocô mesmo porque eu vejo, leio e principalmente ouço talaricos o dia todo querendo o meu voto na urninha".
          Mas eu tenho uma reclamação a fazer... ah, tenho!
Senhores candidatos, antes de qualquer coisa... aliás, senhores candidatos e eleitores também, antes de ir pra sua seção no dia D, vai lá no banheirinho da sua casa, acende a luz, faz um nº1, faz um nº2 bem tranquilinho. Depois, limpa bem, mas bem mesmo, se precisar, toma aquele banhinho. Vista uma roupa leve e esvoaçante e entra na fila pra votar. Sabe pra quê? Pra não fazer caca no dia. Se você for eleito, todos os dias, antes de sair de casa, faça corretamente as suas necessidades, sem medo de ser feliz. Ninguém é obrigado a aturar a sujeira dos outros né. Quer zuar tudo, faz na sua casa, depois sim você pode sair pra rua livre e desimpedido.
          Outra coisa importantíssima: Muito cuidado com a higiene das mãos. O eleito, muitas vezes, pode colocar a mão onde se pegam muitos micróbios, como móveis das repartições públicas, apertos de mãos de muitas pessoas durante o dia, papelada, lápis, canetas, telefones, chave do carro, cafezinho, dinheiro (barulhinho de $$ ), catálogos, documentação, etc. Nesse trânsito todo de pega daqui, solta dali, vem pra cá, fica acolá, vai ficando uma Babilônia microscópica na mão. Memorandos, cadernetas, agendas, notebook... Nossa! Vamos usar da limpeza e transparência. Lencinho, flanelinha, sabãozinho, água corrente e muita assepsia. Vamos lá, né! Pô, colabore! Precisamos de tudo limpo, inclusive ficha limpa!

sábado, 25 de setembro de 2010

Atenção, atenção, tem boi na linha!

      Oh, gente, é um prazer revê-los. Cá estou para matar a cobra e mostrar o pau. Lembram-se do 11 de Setembro que escrevi? (para quem ainda não leu, sacie sua sede: Parabéns Osama Bin Laden, feliz aniversário)
Então, acontece que teve gente que pensou que eu estava sendo muito rude. Pois bem, essa semana o glorioso jornal Folha de S.Paulo publicou a matéria que eu sempre quis ler: o presidente do Irã dizendo que o 11 de Setembro foi "uma farsa", um simulacro. Bom, como santo de casa não faz milagre, coloquei aqui a matéria na íntegra, com as devidas marcas de autoria. Segue.


Ahmadinejad sugere que americanos planejaram 11/9


Delegação americana e de outros países deixam ONU durante discurso

Washington classifica fala de ‘detestável’; presidente iraniano repete que não pretende aceitar ‘sanções ilegais’

ANDREA MURTA – ENVIADA ESPECIAL A NOVA IORQUE



CRISTINA FIBE – DE NOVA IORQUE



Após dias de passos conciliatórios com Washington, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez um discurso inflamado ontem na Assembleia Geral da ONU, no qual criticou os EUA e até sugeriu que o país orquestrou o 11 de Setembro.

A fala fez com que a delegação americana deixasse a sala no meio do discurso. Representantes da União Europeia e de Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Costa Rica também deixaram a sessão.

Mais tarde, os EUA classificaram as declarações do iraniano de “detestáveis”.

Boicotes do tipo já ocorreram em outras falas do iraniano tanto na ONU quanto em fóruns como a revisão do TNP (Tratado de Não Proliferação) em Nova Iorque, em maio passado.

Segundo Ahmadinejad, há diferentes visões sobre as forças responsáveis pelos ataques às Torres Gêmeas, “que afetaram o mundo todo por quase uma década”.

Uma delas é a de que “o governo americano orquestrou o ataque para reverter o declínio da economia e seu poder no Oriente Médio – inclusive para proteger o regime sionista [Israel]”.

Para o presidente, a maior parte do público e dos políticos mesmo dos EUA acreditam nessa versão.

“Logo depois do ataque, começou uma máquina de propaganda. Ficou implícito que o mundo todo está exposto a um grande perigo – o terrorismo – e que a única forma de salvar o mundo seria enviar forças militares para o Afeganistão.”

Ahmadinejad pediu ainda que um grupo da ONU investigasse melhor os ataques contra os EUA.

Não foi a única provocação clara a Washington, pouco depois de gestos pacíficos como a libertação de uma americana presa há mais de um ano no Irã.

Falando sobre seu programa nuclear, Ahmadinejad disse que os países do Conselho de Segurança da ONU equiparam a busca de energia com a de uma bomba, e Teerã jamais se submeterá a “sanções ilegais”.

Os americanos foram os que mais pressionaram pela adoção de nova resolução para punir Teerã neste ano.

Ahmadinejad ainda elogiou esforços de Brasil e Turquia para mediar um acordo de troca de combustível nuclear. O acordo, ignorado pelos EUA, teve base em negociações feitas com potências ocidentais no ano passado, em Genebra.

Ahmadinejad não fez nenhuma menção ao aceno feito anteontem, em Nova Iorque, pelo grupo conhecido como P5+1 (EUA, França, Rússia, Reino Unido, China e Alemanha) para retomar a negociação nuclear com seu país, inclusive com revisão dos acordos de troca de urânio.

Preferiu mencionar ameaças de queima de Alcorão, livro sagrado do islã, como as feitas nos EUA por um pastor evangélico da Flórida. (sic)
(FOLHA DE S.PAULO, sexta-feira, 24 de setembro de 2010. Mundo2, pág.3)


      Bom, eu até poderia grifar no texto o que achei de mais importante, mas senti que seria besteira. A matéria se faz em sua integridade coesiva.
Acho bom o pessoal do Clubinho ficar de orelha em pé, porque (ao que me parece) tem boi na linha. Não vou falar nada sobre o presidente Obama, pois este simplesmente começou a jogar pegando o joystick já na segunda fase e com meia vida, sem arma especial e ainda perdeu petróleo no mar por mais 80 dias. O Presidente é um fantoche, o Plano Político sim é que é a tal da "mão invisível".

      Aqueles que detêm o poder econômico tendem a alcançar o poder político.

      A mão invisível está se tornando tão visível que logo poderemos vê-la. Poderemos vê-la, talvez antes que ela saiba que a vemos escrevendo as matérias a serem publicadas, apagando os textos de outras pessoas, assinando acordos, carimbando "censurado", apertando o botão vermelho escrito " A BOMBA", lacrado no painel central. Ah sim, essa seria a última coisa que a mão invisível faria, detonar tudo; primeiro ela vai fartar a todos com seus movimentos sincronizados e perfeitos, de acordo com a canção, qualquer que seja ela.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Peixe morre pela bôca (com acento ou não)

           É isso aí. Acho que não precisa de muito lenga-lenga pra dizer que o assunto aqui é o Santos Futebol Clube. É "de cair o nariz da cara" (pra não dizer outra coisa) o que aconteceu essa semana, envolvendo o treinador Dorival Jr, Neymar e a diretoria do clube.
           Não se preocupe moçada, eu explico com minhas próprias palavras! Neymar (um jogador) ia cobrar um tiro penal. Dorival Jr (O TÉCNICO DA EQUIPE) disse que ele não iria cobrar, evidentemente por causa de seu baixo aproveitamento em cobranças de pênaltes. Neymar levantou a crista e cantou de galo. Exibindo o corte moicano (talvez ilustrando ser o galo do galinheiro), bradou, aos quatro ventos, impropérios contra o treinador. Por medida disciplinar, Dorival Jr passou a régua no nome dele contra o Corínthians. Onde já se viu falar mais alto do que o técnico? Pois bem, essa é uma parte do conto de terror dessa noite.
           Após algum tempo, foi anunciado algo que pra mim caiu como escândalo: a diretoria do clube não quis Neymar fora do jogo. A diretoria demitiu o competente treinador pra não ver o menino da Vila chorar. É, tirar o doce da mão de criança é dose pra leão. O menino jogou, de técnico novo, e ainda marcou um golzinho. Fiquei tão transtornado com toda essa talaricagem que, sendo o palmeirense que sou, torci pro Corínthians meter uma sacola no time da Baixada. Final: Corínthians 3x2 Santos. Oh yeah!
          Ah, o final de tudo isso todo mundo sabe. Neymar vai mandar e desmandar no time enquanto estiver lá, INDEPENDENTE DE TÉCNICO. Ele é agora o mascote. É tão levinho que dá pra carregá-lo no colo a cada vitória do Santos.
          Meus amigos, a verdade é uma só: feliz do Dorival que saiu. Ele, sim, é idôneo; o resto é balanço mal feito. Acho que na ideia da diretoria, quem ganha é o Neymar, e não o clube. Bom, muito pelo contrário. O Santos ganha jogos, mas quem traz tutu pro bolso do clube é o maroto atacante, com seus valores expostos na mídia, patrocínio e outros vencimentos astronômicos.
          É isso aí, vou finalizar aqui com um trocadilho muito saboroso para o momento: O PEIXE MORRE PELA BÔCA! Ainda bem que boca não tem acento.

*

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Pô, Velho Marinheiro...

           É isso aí, desculpe pelo transtorno. A máquina do tempo engripou e eu estou aqui de novo, com a mão cheia de graxa, sem novidades tentando consertar esta bagaça.
           Importante mesmo é dar a satisfação ao caríssimo leitor que me acompanha de que ESTOU SEM IDEIAS. Ah, estou mesmo e não tô nem aí. Faça o que quiser, pois está tudo na lei, NA LEI, já dizia Raulzito.
           Mas devagar vamos andando, mesmo que seja contra o vento, sem lenço e sem documento, já dizia alguém meio "do contra". E se a onda é ser do contra, viva a sociedade alternativa porque se eu quero e você quer tomar banho de chapéu, então vá! Sejamos do contra, mas pacíficos, não passivos. Imagine todas as pessoas vivendo pelo hoje. É, você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único, já dizia o inglês John com sua primeira esposa original japonesa Yoko One. Logo depois viria a Yoko Two, e a Three... o quê? Um, Dois, Três? Hummm, Vovó Mafalda [um, dois, três: cante comigo outra vez...]; e aquela gargalhada burlesca agitando as manhãs de manhãs da turminha. Bons tempos!
           Pluf-Plaft-Zum, parece que está voltando a funcionar. Rolou um zigue-zague criativo nos ponteiros da máquina. Muito bem, Motores ligados e estou indo De Volta Para o Futuro. Logo mais trarei informações quentes e verdadeiras.
Abração e fui...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Posso não concordar com uma palavra que tu dizes, todavia, defenderei até à morte teu direito de dizê-las"
(Montesquieu)

Jogador expulso fica louco da ideia (sem acento)

           Vocês precisavam ter visto a chifrada que o José Armando Cruz deu na fuça do bandeirinha dedo-duro. O lance, pra falar a verdade eu nem entendi, mas o árbitro ficou na dúvida e foi na fé do bandeira, que dedurou sem dó. Nisso, formou um trololó ali na lateral que sobrou cabeçada no auxiliar. O cabrito-montês, quer dizer, o agressor, pegou 3 meses de gancho (o que eu acho pouco). Não deu tempo nem de reparar se estava com acento essa ideia; e se não tinha, bem que precisava. Segura a onda, amigão!
           Não dá mais pra assistir a jogos de futebol imaginando que estamos na Roma Antiga vendo espetáculos de sangue. E o pior é que alguns atletas são glorificados como deuses na Terra e não passam de amantes da vida fácil.
            Ah sim... deve ser super difícil treinar o corpo todos os dias, ou quase todos, pra atuar e receber por 90 minutos semanais, ou no máximo, 180 minutos. Ha! Preciso falar do ordenado? Desculpa, mas eu tenho que rir: hahahahahahahah, hihihihihi, hehehehehehehe, hohohohoho...! Mas eu não rio deles, rio de nós. Estudamos, por baixo, 25 anos da nossa vida, 1/4 de século, dentro de uma escola, fora outros cursos. Pensa aí se você já recebeu alguma proposta pra ir pra Itália, Espanha, França, Alemanha, Emirados Árabes, Japão ou outro que seja para trabalhar e ganhar, em Euros, algo em torno de 500 mil reais por semana. Já? Então você joga bola (ou é membro da elite política brasileira) e tá lendo o blog e deve estar levemente incomodado com isso. Como eu dizia, deve ser super exaustivo e estafante brincar de bola e tirar uma grana preta...
           Tá, falando sério, sem ironia: eles têm tudo nas mãos e ainda conseguem perder a cabeça em agressões? Quem é que dá auxílio psicológico pra eles? Quando eles não podem fazer sexo nem se masturbar, o que eles fazem pra compensar? Nada?
Tá explicado... José Armando Cruz deveria ter namorado um pouco no dia anterior pra ter evitado o incidente.

            Essa crônica termina aqui, de forma, digamos, inconclusa porque pra mim já está mais do que claro: violência no futebol milionário só pode ser falta de sacanagem. Falta sacanagem pra esses pernetas aí. Ficam com raiva, chutam fora do gol e cabeceiam o bandeira.

            Pensando bem, a vida deles é dureza...

sábado, 11 de setembro de 2010

Parabéns, Osama Bin Laden! Feliz aniversário (com acento)!

Parabéns pra você!
Nesta data querida,
Muitas felicidades,
Muitos anos de vida.

E pro Bin Laden nada, tudo!
Então, como é que é?
É pique? é pique, é pique, é pique
E é pique.
É hora? É hora, é hora, é hora
E é hora,
Rá, Tim,
Buuuuuum!

            É isso aí, não me levem a mal, mas um evento tão memorável merece até festinha anti-imperialista. Feliz aniversário tem acento sim e, no caso do 11 de setembro, pode esperar sentado porque não esqueceremos tão cedo.
            Um acontecimento, assim, digamos, ruim para uns, intrigante para outros e, para outros ainda, uma bênção: o dia da destruição das Torres Gêmeas, símbolo maior do poder econômico e maiúsculo que os Estados Unidos da América têm sobre o mundo globalizado. O símbolo fálico, a presença, a imposição de valores e todas as outras significações que o World Trade Center tinha nas entrelinhas desmoronou desde então. Os EUA entraram na crise da meia idade, situação perto dos 40 anos em que alguns homens pensam estar perdendo a virilidade. Pode ser psicológico ou pode ser somático mesmo. Em outras palavras, Está ficando broxa, a pipa não levanta com qualquer ventinho, o galo já não acorda tão cedo pra cantar forte e sabe-se lá se vai levantar mais tarde também. É, gente, sem a marca da potência, o ícone da força, o mastro alto e rijo, não se domina ninguém, a verdade é essa. E é por isso que os EUA estão na crise da meia idade. Como dizem alguns:
* não está dando no couro;
* dá um trato meia-bomba;
* anda meio borocoxô;
* está meio DVD (Deita, Vira e Dorme);
e essa é a melhor definição:
* tá mais pra lá do que pra cá.

           Depois da queda dos pinos de Nova Iorque, ficou claro que essa omnipotência estadunidense não é duradoura não, é fajutíssima. Diga lá que no mesmo dia, outros lugares do país foram atacados, inclusive o Pentágono, que pra mim não passa de um clube social. Elaiá!
           Outra coisa também: sabe quando uma criancinha se sente ameaçada pelo irmãozinho? Tem vezes que ela revida e ofende. Ai, ai, mesma coisa. Os EUA fazem uma propaganda de massa pra incentivar contra os INIMIGOS. Que inimigos, gente? Onde já se viu que um país de tamanho continental, primeira potência do mundo, pode considerar como INIMIGO uma merreca recortada de montanhas e deserto que nem tem água direito pra população? Vai pegar alguém do seu tamanho, seu Mané. Pega alguém maior e melhor que você, tipo a União Soviética... Ah , fala sério. Pra mim é cômico. É das Arábias, pra não falar outra coisa.
           Está muito claro que tudo isso é algo financiado já de antemão para aquecer a economia e tudo o mais e eles só precisavam de um motivo claro, o 11 de setembro. Deu no que deu! Só neste ano é que estão diminuindo as forças militares que agem na Ásia e no Oriente Médio, matando e mutilando pessoas que não tem nada a ver com seus motivos mesquinhos e cheios de torradas no pires da xícara.

MAS TEM UMA COISA QUE É MAIS IMPORTANTE QUE TUDO ISSO NESSE ASSUNTO TODO.

          O Estado de Israel foi feito com base na remoção dos Palestinos que estavam na área que hoje é ocupada pelos israelenses. Israel representa os judeus e os palestinos são muçulmanos. Os judeus detém o poder econômico do mundo ocidental e, portanto, o poder político. Os palestinos são vistos apenas como "os invasores da Terra Prometida". Por isso, há milênios, os judeus estão sem lar (e com motivo) e tentam voltar pra Terra Prometida. Eles já estiveram lá uma vez, mas tiveram de sair, foi uma diáspora. Ora, se eles deixaram o local, outros vieram e se fixaram, nada mais justo. Agora removeram com forças militares os muçulmanos (isso 50 anos atrás). Eles queriam o quê, que eles deixassem barato? E eu dou a maior força, sabe por quê? Porque os muçulmanos são as maiores vítimas de todo mundo. Bom, se for pensar assim, a Bíblia deveria continuar sendo escrita, até 1948, o Mais Tenro e Novíssimo Testamento, "O Povo de Israel finalmente se fixa na Terra Prometida".
           E esse é o motivo que todos deveriam saber sobre EUA e a Guerra contra o Terror.
          Mas calma, rapazes, não se preocupem! O Tio Sam já não está a todo vapor. Já é um senhor arqueado, consciente e não atende a qualquer xaveco de cocotinha, ele paga o soslaio com um maço de cigarro pra mesa ao lado. A virilidade do Titio já ficou na saudade, tá "pra lá de Bagdá!"
          Bom, chega de balanga-beiço. Fica registrado aí o meu abraço a toda a turma do gueto do Mohamed, do Íbsen, do seu Ali, um beijão pro finado Youssef, da quitanda aqui da Zona Sul e pras 4 esposas dele.
          Osama, Parabéns e que Alá ilumine seus caminhos.
          Ra-Tim-.....

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Como fazer na escola para ensinar Memórias (com acento)

           É isso aí, memória vem com acento, ainda mais quando se fala em Memória Literária, que vem com dois acentos. Vem com acento mesmo que é para sentar e esperar porque se depender da proposta que vem sendo oferecida pelo Governo, haja saco!
           Imagina que nos enviam um calhamaço belíssimo com histórias e ilustrações dos anos 20, anos 40, etc, tudo para dialogarmos com crianças de 13 ou 14 anos; até aí tudo bem. Obviamente são obras literárias bonitas que fazem a nostalgia aflorar como se fosse água de manancial. Mas em algum momento alguém se enganou aí! As crianças me pareceram meio fugidias ao assunto: algo não as atingiu em cheio. Talvez o fato de que elas ainda não tenham maturidade suficiente para sentir ou "experienciar" a Nostalgia e a Saudade. É verdade! Acontece que para que sintamos certo prazer em ler relatos de idosos sobre seus áureos tempos de estilingue ou namoricos no portão até no máximo 18h20, precisamos dispor de nostalgia no sangue, e isso a criança não tem.
           Senhor Governante, faça-me um favor! Ensine-me a ensinar a sentir saudade e, aí sim, poderemos pedir a crianças que produzam textos com excelente carga nostálgica!

           Era só o que me faltava mesmo...

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

De olho no céu (com acento)

           É isso aí, no "céu" tem acento, mas não precisa sentar agora! Não se preocupem, se melhorar estraga! Cientistas, de olho no céu, anunciaram esta semana, a primeira de setembro, que chegaria à região a primeira nuvem capaz de precipitar-se sobre nós. A descoberta passou pelo teste de fidelidade de outros especialistas em estiagem prolongada. Segundo Ashton Frederick Kingsley, a nuvem chegou pesada, mas demorou por alguns motivos bem conhecidos nossos.
       Como estava muito pesada, a nuvem perdeu bastante tempo em uma balança na Imigrantes, sentido Litoral-Capital, foi multada e teve 1/3 da carga de água e impurezas confiscada, que está agora na Polícia Federal, em São Paulo, desde domingo último. Outro motivo foi a demora com as paradas nas praças de pedágios que estão espalhadas pelo estado de São Paulo.
       Gente, cá entre nós, deixa chover! A verdade é uma só: pensaremos que até a chuva está sendo descaradamente prejudicada pela alta lucratividade dos meios Burocráticos do Estado.

      Burocracia não tem acento. Não precisa esperar sentado, ela já vem!

***
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Calma, calma! Já vai acabar... a gente já está chegando...

É isso aí. Época de ser esperto: eleições. Sejamos tontos e escolhamos alguém. Um para dirigir o carro do país, mas não esqueça que esse deve ser regularmente habilitado na categoria correta do veículo. Mas, em que categoria se encaixa um caminhão pau-de-arara? Fica classificado como carreta, caminhão comum, cegonha ou ônibus? Transporta carga viva, um monte de gente. É uma galera esfaimada que veio sabe-se lá de onde indo parar em qualquer lugar (que seja lucrativo). Bem, sobre o motorista (ou piloto) não precisa nem falar, né. Na melhor das hipóteses, o caminhão chega no destino com a carga viva imunda e cheia de escoriações, gente alegre pela descida da carroceria. E que, se chegar inteiro (com todos inteiros ou quase todos), é mérito do heroi que guiou o bicho. Se bater, ha! SE BATER, BATEU.

Lembrando...

Como se fosse um ritual, sempre coloco primeiro a meia esquerda, depois a direita; o sapato esquerdo, depois o direito. Não por regra, talvez, sim, por inquietude intelectual de precisar seguir passos ou inclinações prestabelecidas.
Gostoso demais lembrar das agressivas ordens das educadoras de minha infância: "para ler, comece pela esquerda, depois para a direita, até o ponto."
Engraçado, pois não me lembro quem eram as educadoras de minha infância, mas lembro-me vividamente das lições dadas há tantos e tantos anos. 

Parabéns a vocês, esquecidas! O tempo na minha cabeça já aniquilou seus retratos, mas não seus atos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Acerca das Atitudes

Sou o típico ser humano que se afeta da história. Mas não tão típico assim. A banalidade permeia a vida, bem como a mão dirige o tato. Nem toda história me comove porque as banais me trespassam por direto.