Oh, gente, é um prazer revê-los. Cá estou para matar a cobra e mostrar o pau. Lembram-se do 11 de Setembro que escrevi? (para quem ainda não leu, sacie sua sede: Parabéns Osama Bin Laden, feliz aniversário)
Então, acontece que teve gente que pensou que eu estava sendo muito rude. Pois bem, essa semana o glorioso jornal Folha de S.Paulo publicou a matéria que eu sempre quis ler: o presidente do Irã dizendo que o 11 de Setembro foi "uma farsa", um simulacro. Bom, como santo de casa não faz milagre, coloquei aqui a matéria na íntegra, com as devidas marcas de autoria. Segue.
Ahmadinejad sugere que americanos planejaram 11/9
Delegação americana e de outros países deixam ONU durante discurso
Washington classifica fala de ‘detestável’; presidente iraniano repete que não pretende aceitar ‘sanções ilegais’
ANDREA MURTA – ENVIADA ESPECIAL A NOVA IORQUE
CRISTINA FIBE – DE NOVA IORQUE
Após dias de passos conciliatórios com Washington, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez um discurso inflamado ontem na Assembleia Geral da ONU, no qual criticou os EUA e até sugeriu que o país orquestrou o 11 de Setembro.
A fala fez com que a delegação americana deixasse a sala no meio do discurso. Representantes da União Europeia e de Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Costa Rica também deixaram a sessão.
Mais tarde, os EUA classificaram as declarações do iraniano de “detestáveis”.
Boicotes do tipo já ocorreram em outras falas do iraniano tanto na ONU quanto em fóruns como a revisão do TNP (Tratado de Não Proliferação) em Nova Iorque, em maio passado.
Segundo Ahmadinejad, há diferentes visões sobre as forças responsáveis pelos ataques às Torres Gêmeas, “que afetaram o mundo todo por quase uma década”.
Uma delas é a de que “o governo americano orquestrou o ataque para reverter o declínio da economia e seu poder no Oriente Médio – inclusive para proteger o regime sionista [Israel]”.
Para o presidente, a maior parte do público e dos políticos mesmo dos EUA acreditam nessa versão.
“Logo depois do ataque, começou uma máquina de propaganda. Ficou implícito que o mundo todo está exposto a um grande perigo – o terrorismo – e que a única forma de salvar o mundo seria enviar forças militares para o Afeganistão.”
Ahmadinejad pediu ainda que um grupo da ONU investigasse melhor os ataques contra os EUA.
Não foi a única provocação clara a Washington, pouco depois de gestos pacíficos como a libertação de uma americana presa há mais de um ano no Irã.
Falando sobre seu programa nuclear, Ahmadinejad disse que os países do Conselho de Segurança da ONU equiparam a busca de energia com a de uma bomba, e Teerã jamais se submeterá a “sanções ilegais”.
Os americanos foram os que mais pressionaram pela adoção de nova resolução para punir Teerã neste ano.
Ahmadinejad ainda elogiou esforços de Brasil e Turquia para mediar um acordo de troca de combustível nuclear. O acordo, ignorado pelos EUA, teve base em negociações feitas com potências ocidentais no ano passado, em Genebra.
Ahmadinejad não fez nenhuma menção ao aceno feito anteontem, em Nova Iorque, pelo grupo conhecido como P5+1 (EUA, França, Rússia, Reino Unido, China e Alemanha) para retomar a negociação nuclear com seu país, inclusive com revisão dos acordos de troca de urânio.
Preferiu mencionar ameaças de queima de Alcorão, livro sagrado do islã, como as feitas nos EUA por um pastor evangélico da Flórida. (sic)
(FOLHA DE S.PAULO, sexta-feira, 24 de setembro de 2010. Mundo2, pág.3)
Bom, eu até poderia grifar no texto o que achei de mais importante, mas senti que seria besteira. A matéria se faz em sua integridade coesiva.
Acho bom o pessoal do Clubinho ficar de orelha em pé, porque (ao que me parece) tem boi na linha. Não vou falar nada sobre o presidente Obama, pois este simplesmente começou a jogar pegando o joystick já na segunda fase e com meia vida, sem arma especial e ainda perdeu petróleo no mar por mais 80 dias. O Presidente é um fantoche, o Plano Político sim é que é a tal da "mão invisível".
Aqueles que detêm o poder econômico tendem a alcançar o poder político.
A mão invisível está se tornando tão visível que logo poderemos vê-la. Poderemos vê-la, talvez antes que ela saiba que a vemos escrevendo as matérias a serem publicadas, apagando os textos de outras pessoas, assinando acordos, carimbando "censurado", apertando o botão vermelho escrito " A BOMBA", lacrado no painel central. Ah sim, essa seria a última coisa que a mão invisível faria, detonar tudo; primeiro ela vai fartar a todos com seus movimentos sincronizados e perfeitos, de acordo com a canção, qualquer que seja ela.
Um comentário:
Para começar, acho que a reportagem peca num aspecto que, a propósito, poucos sabem de verdade: quem é Ahmadinejad? Quais são seus vínculos políticos?
Isso faria toda a diferença diante da acusação do presidente iraniano. Não que eu esteja defendendo os Estados Unidos, longe disso, mas o fato é que conhecer a história do Irã e o atual presidente é importante. Aliás, acho que só tem moral de fato aquele que sabe o contexto histórico em que as pessoas estão inseridas. Por que estou dizendo isso? Porque depois da revolução ocorrida no país, o Irã mudou seus rumos. Ela ocorreu em 80, e o representante pré-revolução era a favor, digamos, de uma política vinculada ao Ocidente. Depois que a coisa começou a desandar com o "radicalismo" islâmico, um conservadorismo fervoroso, uma teocracia que condena determinadas ações ligadas à liberdade individual.
Eu acredito que tem boi na linha, pois política é isso: a manada passar e não a vermos.
Os Estados Unidos fornecem armas, capital ou coisas do tipo ao exército de Israel, é verdade. E este tem um ódio quase que perpétuo do Irã. Tudo favorece para tal acusação. Mas só acho importante lembrar que ela não partiu só de uma opinião política, mas de uma formação política de Ahmadinejad também.
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